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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Brasil na 2ª Guerra Mundial: Americanos no Amapá.

A participação brasileira na Segunda Guerra Mundial não foi só com o envio de militares para lutarem na Itália. Aqui no país, diversas unidades se envolveram no conflito, seja movimentando homens para áreas consideradas de maior risco, como o Nordesde e Norte do Brasil, como combatendo espiões.

A historiografia cita muitas vezes as bases em Natal e no Rio de Janeiro, mas poucos se lembram da do Amapá. Nela os EUA instalaram uma base de operações de dirigíveis (blimps).


A guerra acabou, a base deixou de ser usada, o Amapá é muito longe e o local foi esquecido ... até agora. Ao que parece, os historiadores e entusiastas aeronáuticos amapenses estão buscando resgatar essa história.

Torre de atracação dos dirigíveis.
Fonte: Fórum Base Militar

Antigo prédio da então Base Aérea de Amapá.
Fonte: Fórum Base Militar
De uma reportagem local:

Museu da II Guerra Mundial em Amapá está abandonado pelo governo estadual.

Em entrevista concedida à rádio Marco Zero FM 92,7O, o deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB), se disse assombrado com o que viu em recente visita ao museu a céu aberto da Base Aérea de Amapá, no município de Amapá, a 302 quilômetros de Macapá.

O estado de abandono dos imóveis, peças de carro e de avião, da pista de pouso construída com recursos federais - via o extinto Ministério da Aeronáutica -, são exemplos do menosprezo do governo estadual com a história do povo amapaense.

O museu a céu aberto da Base Aérea de Amapá, localizado a nove quilômetros da sede do município, está completamente entregue ao mato, à lama e à ferrugem. São partes de caminhões e de aviões da 2ª Guerra Mundial sepultadas sob monturos de lixo e terra. Os imóveis construídos pelo então Ministério da Aeronáutica, por determinação do presidente Getúlio Vargas, para abrigar militares brasileiros e norte-americanos, estão ruindo sob a ação implacável das chuvas torrenciais que desabam diariamente na região.

O estado deplorável da pista de pouso, com mais de três mil metros de extensão, é o exemplo clássico do desleixo das autoridades na preservação dos patrimônios históricos do Estado do Amapá. Até mesmo a placa indicativa da extinta Fundação Estadual de Cultura do Amapá (Fundecap), hoje Secretaria de Estado da Cultura (Secult), fincada em frente à “Casa de Força e Luz” da antiga Base Aérea, está se desfazendo em ferrugem. “É lamentável constatar um nível de abandono tão grande com a cultura do Amapá”, comentou, em tom de desabafo, o deputado do PSB.

Incluída entre as principais atrações do museu, a torre de ferro utilizada para atracações dos zeppelins (aeróstato dirigível, já em desuso, formado por uma armação de duralumínio em feitio de grande charuto, e que foi criado em 1900 pelo Conde Zeppelin (1838-1917), inventor alemão.) também é duramente castigada pela ação do tempo. Com tanto ferrugem corroendo a base da torre, está na iminência de cair caso as chuvas se tornem mais intensas nos próximos meses.

Segundo fontes amapenses, esta foto seria da Base Aérea do Amapá
em funcionamento, na década de 40.
Falando por meio de sua assessoria, o secretário de Estado da Cultura, João Alcino Costa Milhomem, informou que está em andamento um plano de recuperação das peças, imóveis e limpeza do terreno no entorno do museu. Entretanto, não soube explicar – alegando que seria precipitação de sua parte – adiantar datas ou valores sobre as supostas obras. As mesmas alegações também foram externadas por assessores do prefeito de Amapá, Carlos César da Silva, o “Peba”. Alegaram ser de responsabilidade do governo estadual a manutenção e conservação do Museu da Base Aérea da 2ª Guerra Mundial e que a “(…) Prefeitura tem alertado sobre a ’situação’ do museu”.

O município de Amapá já desfrutou da condição de capital do então Território Federal do Amapá, passando o privilégio para Macapá a partir de 1945. As primeiras informações do município são de 1893, quando os garimpeiros paraenses, naturais de Curuçá, Germano e Firmino, descobriram ouro em Calçoene (a esse tempo pertencente ao município de Amapá).

O rush dos franceses da Guiana, que queriam o ouro a todo custo, criou vários incidentes, com choques violentos que culminaram com a vitória dos brasileiros sob o comando de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o “Cabralzinho”. Em 21 de janeiro de 1901, as terras do atual município, antes contestadas pela França, foram anexadas ao Estado do Pará após o ganho de causa do Brasil, compreendendo três municípios (Amapá, Oiapoque e Calçoene), com o nome de Aricari.

Segundo a Universidade do Vale do Acaraú (UVA), há na base: Cassino dos Oficiais Americanos; Hospital do Exército Americano; Sistema de Abastecimento de Água, Poço e Sistema; Casa de Força e Luz; Casa de Hidrogênio; Almoxarifado Geral; Pista de Vôo; Torre de Atracação de “Blimps” Zeppelins; dentre outros pontos.

Discentes da UVA visitando a Base.
Maiores dados podem ser obtidos no Fórum Base Militar, Universidade do Vale do Acaraú.  


Um comentário:

  1. Importantes observações do amigo Jackson Flores Jr.: " Interessante as informações colocadas no seu blog sobre os americanos no Amapá.

    Dando uma olhada rápida nas minhas anotações, a USN deu inicio às obras da Naval Air Facility Amapá (NAF Amapá) em 22 de junho de 1943, concluindo essas obras em 180 dias. Isso incluiu a pista de pouso, pátio de estacionamento e edificações. A idéia inicial era não somente implantar um aeródromo que desse apoio às aeronaves sendo trasladadas desde os Estados Unidos até o Brasil (e daqui para os distintos teatros de operações), mas lá sediar uma unidade ou destacamento de blimps.

    Três meses depois o primeiro blimp da USN (K-84) chegou em Fortaleza, sendo seguido por outros que iriam pertencer aos esquadrões ZP-41 e ZP-42, ambos subordinados ao Fleet Airship Wing 4, esse último com sede em Recife. As sedes administrativas e operacionais desses dois esquadrões eram mudadas com bastante freqüência, mas o importante aqui é de que entre os dois esquadrões foram operados 16 blimps do tipo “K”, com destacamentos de duas aeronaves nas distintas bases em que operavam.

    Não sei se todos os blimps já se encontravam no Brasil, mas a partir de 2 de outubro de 1943 foi executada a primeira missão operacional, que era de dar cobertura para um comboio TJ.

    Curiosamente, os blimps destacados na NAF Amapá eram particularmente ativos – especialmente na realização de missões SAR. A primeira dessas missões ocorreu na véspera do Natal de 1943, quando o blimp K-106 foi socorrer a tripulação de um avião de transporte da USAAF que caiu no meio da selva alguns quilômetros do Amapá.

    Com a abrupta queda nas atividades dos submarinos alemães e italianos no último trimestre de 1944, rapidamente tornou-se desnecessário o uso dos blimps na cobertura dos comboios ligando os Estados Unidos ao Brasil, e vice-versa. Assim, em 14 de maio de 1945 foi desativado o Fleet Air Wing 4 e muitos dos NAF desativados ou transferidos à USAAF. No caso da NAF Amapá, esse foi transferido para a USAAF em 30 de junho de 1945."

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