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terça-feira, 1 de março de 2011

Breve Histórico do Offset ("compensação") no Comando da Aeronáutica



O Brasil tem diversas concorrências internacionais em andamento e abrirá outras mais num futuro próximo, muitas no campo da defesa, por exemplo. E como as cifras e quantidades serão expressivas, passou a exigir de maneira mais enfática o offset ou a famosa "compensação"; isto é, eu (Brasil) compro de você (país X) um caça/navio/radar/etc. e você terá de investir em alguma coisa no meu território. Esse investir em alguma coisa é que será tratado em cada contrato.

Abaixo um texto do IFI (Instituto de Fomento e Coordenação Industrial) do Ministério da Defesa sobre o tema. 

No princípio dos anos 50, ocorreu o que pode ser considerada a primeira operação de offset sob a forma de Barter, quando a FAB adquiriu da Inglaterra aeronaves Gloster Meteor TF-7 e F-8, que foram trocadas pelo valor equivalente em algodão.



Gloster Meteor F-8.
Foto via Poder Aéreo

Em 1974, o Offset foi utilizado pelo então Ministério da Aeronáutica, na aquisição de aeronaves F-5E, por meio da transferência de tecnologia para a produção e montagem de estabilizadores verticais e de pilones das aeronaves F-5E pela Embraer.



Northrop F-5E Tiger II
Foto: Central and Latin America database


As tecnologias de materiais compostos (honeycomb bonding), de tratamentos térmicos e de usinagens especiais obtidas pela empresa foram transferidas para os novos projetos EMB-121 XIngu e EMB-120 Brasília, por efeito de spin off.

Raio X do EMB-121 Xingu
Foto: Cutaway
Outra operação de offset ocorreu quando, por ocasião da aquisição do Centro Integrado de Defesa e Controle do Tráfego Aéreo - Cindacta I, à empresa francesa Thomson, foi negociada a venda para a Força Aérea Francesa de 41 aeronaves Xingu, que ainda equipam um esquadrão de treinamento de pilotos de transporte.

Xingu na Força Aérea francesa
Foto: Stephane Pichard
O CTA implementou ao longo dos anos 70 e 80, por intermédio do IFI, diversas ações de offset contemplando a transferência de tecnologia para produção, no País, de partes de motores e diversos outros componentes e peças, que possibilitaram saltos tecnológicos a diversas empresas do setor aeroespacial.


Em 1979, negociações conjuntos com o Grupo Aeromot e  autoridades do Ministério da Aeronáutica, possibilitaram a obrigatoriedade de que as aeronaves Boeing 737 e Airbus A300 adquiridas pela Varig e Vasp tivessem instaladas poltronas fabricadas pela empresa brasileira, contemplada com transferência de tecnologia e treinamento adequado.


Em 1992, houve apenas uma negociação de vulto, levada a cabo pelo então Deped, relativa à aquisição de aeronaves MD-11 pela Varig, na qual Embraer foi a maior beneficiada, com sucessivos contratos de fabricação dos conjuntos de flaps dos MD-11 (300 conjuntos), incluindo treinamento e transferência de tecnologia, além de financiamento de aeronaves EMB-120 Brasília para o mercado dos EUA.

Em 1991 e 1992, foram aprovadas a Política de Compensação Comercial, Industrial e Tecnológica do MAER e a Diretriz 360-1, que regulava a política.

Em face disso, os projetos de modernização das aeronaves F-5BR, aquisição de aeronaves de caça (F-X), transporte (CL-X), patrulhamento marítimo (P-3BR), aquisição de sistemas e sensores e a modernização das aeronaves A-1M, e outros projetos em andamento, todos estão contemplando exigências de compensação.

P-3MBR FAB7203
Foto via joseluiscel
Em 27 de dezembro de 2002, por intermédio da Portaria Normativa n.º 764/MD*, foi aprovada a Política de Compensação Comercial, Industrial e Tecnológica do Ministério da Defesa, que, com isso, passa a assumir a coordenação estratégica das compensações em benefício da indústria de defesa, a partir das importações de sistemas e equipamentos pelas Forças Armadas



*Leia o documento aqui, extraído direto do site do Min.Def. Vai parecer meio estranho no começo (um campo cinza e o https com um x vermelho sobre ele), mas é assim mesmo. Vai carregar o .pdf.


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