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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Forte de Coimbra: seus brasões e estandartes.

Por Luiz Eduardo Silva Parreira


O Forte de Coimbra foi fundado em 13 de setembro de 1775. De lá para cá, diversas organizações militares (OM) serviram naquela praça de guerra. Lamentavelmente, alguns de seus estandartes se perderam no tempo. A mudança de poder entre Portugal e Brasil e, mais tarde entre Monarquia e República, serviram para apagar muita coisa. Em certos momentos, deixar transparecer que se apoiava este ou aquele movimento, poderia significar perder cargo, posição e até da própria vida. Com o Forte de Coimbra não foi diferente. Nascido ainda sob o domínio português, no passar dos séculos, a cada mudança, algo era apagado - por descuido, descaso, ignorância ou por dolo - e muitas delas jamais serão recuperadas. Perderam-se para sempre!

Mas pela ação muitas vezes solitária de alguns, certos dados nos chegaram. Vasculhando livros, documentos, monumentos, fotografias, etc, consegui levantar alguns distintivos ligados de alguma forma ao Forte de Coimbra.

Pelas mãos do Historiador Adler Homero Fonseca de Castro, obtive a fotografia deste brasão, que se encontra esculpido numa columbrina de 1751, hoje exposta no pátio dos canhões do Museu Nacional. Segundo suas pesquisas, esta peça é atribuída ao Forte de Coimbra. As columbrinas eram "canhões" do século XVIII e foram um dos primeiros armamentos que guarnecerem o Forte de Coimbra. Porém, houve outro antes deles: o pedreiro. Destes, só há registros literários e descritivos. 


Da Guerra da Tríplice aliança não possuo nenhum dado iconográfico, voltando a encontrar registro já na República: a bandeirola da unidade que lá servia na década de 40: 1ª/6º GACos/FC (Primeira Bateria do Sexto Grupo de Artilharia de Costa e Forte de Coimbra), com o primeiro símbolo da Artilharia de Costa do Exército Brasileiro: os canhões cruzados (hoje esse é o símbolo do Quadro de Material Bélico). 


Mais adiante, em data que não sei precisar, aparece o belíssimo brasão do 1ª/6º GACos/FC, desta vez com o último símbolo que a a Artilharia de Costa utilizou: a granada sobre muralhas. Também há a bandeirola com o mesmo símbolo. No Brasão estão as datas de 1801 e 1864, para rememorar os combates que o Forte viveu. O de 1801, foi a resistência do Coronel Ricardo Franco de Almeida Serra. Essa resistência, contra forças do então império espanhol, garantiu as terras do Oeste brasileiro.  Já 1864, foi a resistência do Forte de Coimbra ao ataque paraguaio na Guerra da Tríplice Aliança. Comandava o Forte naqueles dias o Tenente-Coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero. Essa resistência foi algo de espetacular! Menos de 150 homens resistiram ao ataque de mais de 3.000 por três dias! As duas ações foram tão significativas que esses dois militares hoje são patronos do Exército Brasileiro. O primeiro, do Quadro de Engenheiros Militares e o segundo, da Artilharia de Costa. Em posts futuros, discorremos sobre esses memoráveis fatos históricos.


Por fim, a OM que passou a servir naquela praça de guerra a partir da desativação da OM de Artilhara, foi a 3ªCiaFron/FC (Terceira Companhia de Fronteira e Forte Coimbra), uma OM de Infantaria. Quando de sua criação, usou provisoriamente o brasão com o fundo branco, para, em seguida, adotar o atual; aliás, muito bonito. Eis a descrição dele: 

PORTARIA Nº 958, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2006.

Concede distintivo histórico à 3ª Companhia de Fronteira e Forte Coimbra.

O COMANDANTE DO EXÉRCITO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 4º da Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999, considerando o que prescreve o art. 11 das Instruções Gerais para a Concessão de Denominações Históricas, Estandartes Históricos e Distintivos Históricos às Organizações Militares do Exército (IG 11-01), aprovadas pela Portaria do Comandante do Exército nº 580, de 25 de outubro de 1999, e de acordo com o que propõe a Secretaria-Geral do Exército, resolve:

Art. 1º Conceder à 3ª Companhia de Fronteira e Forte Coimbra, com sede na cidade de Coimbra - MS, o distintivo histórico, constante do modelo anexo, com a seguinte descrição heráldica:

“Escudo português, mantelado em ponta e filetado de ouro, chefe cortado de duas faixas, sendo a superior de vermelho e a inferior de azul-celeste, cores representativas do Exército, carregadas com a abreviatura da denominação militar da OM em letras maiúsculas, de ouro. Primeiro campo, xadrezado de ouro e de azul, peça contida no brasão de armas da família Portocarrero, na relembrança do Ten-Cel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero, o qual, nos últimos dias de dezembro de 1864, resistiu bravamente contra a investida paraguaia sobre o Forte Coimbra, quando da Campanha da Tríplice Aliança; segundo campo, de branco, ostentando, em abismo, o símbolo da Arma de Infantaria, de verde, sotoposto por uma Cruz de Cristo, de vermelho e vazada, símbolo de Unidade Militar de Fronteira; terceiro campo, de azul-claro, exibindo uma fortaleza, de prata, representativa do Forte Coimbra.”

Art. 2º Estabelecer que esta Portaria entre em vigor na data de sua publicação.

(Portaria publicada no Boletim do Exército nº 51, de 22 de dezembro de 2006).

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Segundo dados do Exército Brasileiro, esta é a sequência de OM que pelo Forte de Coimbra passaram, desde a década de 30 do século XX:  1ª e 2ª Bateria Independente de Artilharia de Costa (Aviso nº 280, de 16/04/31). Localizado no Forte de Copacabana e no Forte do Vigia, Rio de Janeiro - RJ. Transformado em 3º Grupo de Artilharia de Costa e 4ª Bateria Independente de Artilharia de Costa (Decreto nº 24.287, de 24/05/34). Em 1934, origem: 5º Grupo de Artilharia de Costa (Decreto nº 24.287, de 24/05/34). Localizado em Coimbra - MS. Transformado em Grupamento Coimbra (Nota Ministerial nº 240, de 10/10/36). Em 1937, origem: Grupamento Coimbra (Aviso nº 471, de 24/07/37). Localizado no Forte de Coimbra, Coimbra - MS. Transformado em 1ª/6º Grupo de Artilharia de Costa (Decreto Reservado nº 21.134-A, de 15/05/46).

Ainda voltaremos a este assunto, dando maiores detalhes :-D
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Caro leitor, Caso tenhas alguma foto ou história sobre o Forte de Coimbra. Ou então reconheça alguém numa fotografia, por favor, compartilhe conosco! Nos escreva e cite este update para que possamos manter viva a história contemporânea do Forte de Coimbra. Envie para silvaparreira@gmail.com.

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