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domingo, 2 de dezembro de 2012

Richard Vogt: do Blohm & Voss BV P.215 aos SpaceShipOne/Two?

Por Luiz Eduardo Silva Parreira

Depois que perdeu a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi proibida de possuir e produzir diversos armamentos. Mas como é uma terra de geniais juristas e engenheiros, conseguiu encontrar "brechas" nos tratados e avançar em áreas que poucos ou nenhum país dava atenção. Uma delas foi a engenharia aeronáutica voltada a foguetes e propulsão à jato.

'Verein für Raumschiffahrt' (Spaceflight Society), em 1930.
Foto: 
http://www.droopsnoot.co.uk/rak2.htm
Anos mais tarde, no transcorrer da Segunda Guerra Mundial, muitos dos experimentos e teorias aperfeiçoadas durante as décadas de 20 e 30 ganharam corpo, como o foguete hipersônico V-2 e o caça a jato Me-262.

Messerscmitt Me-262.
Foto: Luftwaffe 39-45
Contudo, quando esta guerra terminou, muita coisa ainda estava sendo estudada e não teve tempo de entrar em produção. Os aliados sabiam disso e buscaram os cientistas alemães para que eles fossem para os EUA (Operation Paperclip) ou URSS, a fim de que nesses países, continuassem seus experimentos.

Von Braun, durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, na década de 40, e, na NASA, quando participava do Programa Apollo, na década de 60.
Assim foi com Wernher Von Braun, que trabalhou na pesquisa das V-2 e foi o pai do Saturno V, o foguete que levou o homem à Lua. Também Kurt Tank, pai do caça FW-190 e projetista do Ta-183, que deu origem ao Pulqui II argentino e - segundo muitos - inspirou os projetos do MiG-15 soviético, F-86 Sabre norte-americano e do Tunan, sueco.

Kurt Tank e seu legado:
Ta183, F-86 Sabre, MiG-15, Tunan e Pulqui II.
Mais de 60 anos depois, acreditava-se que essa influência germânica teria terminado. Noutras palavras, que a tecnologia do século XXI já teria avançado a tal ponto que as ideias originais da engenharia teutônia só serviriam para exemplos históricos. Mas não é bem assim ...

Em 21 de junho de 2004, a Scaled Composites - empresa privada que pretende fazer negócio com turismo espacial - anunciou o sucesso do voo do seu avião-protótipo, que executou com perfeição o primeiro voo espacial privado da história: o SpaceShipOne.


Já em 11 de outubro de 2010, a agora The SpaceShip Company, formada pelas empresas Scaled Composites e Grupo Virgin, fez voar o SpaceShipTwo, com a qual pretende levar turistas espaciais para voos sub-orbitais.



Essas duas aeronaves do novo milênio se parecem muito com o projeto do engenheiro alemão Richard Vogt, que trabalhava para a empresa Blohm & Voss!

Entre 1944 e 1945, Vogt esteve envolvido num programa que visava criar um caça de grande altitude, cujo desenho também serviu para uma versão de caça-noturno: o BV P.215.



Na verdade, o BV P.215 era o fim de uma longa série de projetos sob os cuidados de Richard Vogt, mas que não tinham sido construídos. Seria um caça com propulsão à jato e levaria novidades para a época, como um radar embarcado e míssies. Mas o que chama atenção nele e os SpaceShips são sua formas. As aeronaves são praticamente iguais.



Quem está acostumado a ver projetos, mockups e desenhos de veículos-conceito, sabe que  - invariavelmente - uma coisa aqui ou ali será maior, menor, mais redonda, mais fina; diferente, entre o que está desenhado e o que será construído ou entre o protótipo e a versão de produção. Dados que corroboram a afirmação de que os engenheiros da The SpaceShip Company deram uma olhadinha nos estudos de Richard Vogt ;-)

Richard Vogt.
http://www.scientistsandfriends.com/aerodynamics.html
Ah, sim, Vogt foi para os EUA, depois da guerra, e entrou na Boeing, onde fez vários estudos. Participou do projeto do Boeing 747 e de suas pesquisas resultou na adoção de winglets nas pontas das asas dos aviões.


Também outro de seus conceitos foi testado: a asa oblíqua. A ideia foi mostrada no BV P.202 (anos 40) e anos mais tarde, concretizada no AD-1, da NASA.



O cara era fera mesmo!

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